A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou em 3 de setembro de 2026 que o atual El Niño pode se tornar o mais forte em 40 anos, com probabilidade próxima de 100% de persistir até fevereiro de 2027. Se continuar assim, pode ser o mais forte desde que o monitoramento começou, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. A agência da ONU afirma que o fenômeno terá impactos globais muito grandes na precipitação e na temperatura nos próximos meses, elevando os riscos de inundações e calor extremo.
O que é o El Niño e por que este é excepcional?
O El Niño é a fase quente do El Niño-Oscilação Sul (ENOS), um padrão climático recorrente causado por variações nos ventos e nas temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical. Ele se desenvolve quando as águas do Pacífico equatorial centro-leste esquentam e alteram as correntes oceânicas. A OMM informa que o evento atual está firmemente estabelecido desde meados de agosto de 2026, com o índice Niño 3.4 em +2,2 a +2,6 °C e temperaturas subsuperficiais mais de 8 °C acima da média. As anomalias de temperatura da superfície do mar do El Niño o colocam entre apenas quatro eventos muito fortes desde 1950.
Previsão e impactos regionais
Os centros globais de produção da OMM indicam probabilidade de quase 100% de que o El Niño persista de setembro a novembro de 2026 e de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027. Espera-se que atinja intensidade muito forte antes do pico no fim do ano, com efeitos até 2027. Haverá condições mais úmidas no Chifre da África, na Ásia Central, no Sul da Europa, no oeste da América do Norte e no sudeste da América do Sul. Condições mais secas são prováveis no subcontinente indiano, no sul e leste da Austrália, em partes do Caribe e no norte da Europa.
Temperaturas acima do normal são previstas em quase todas as áreas terrestres de setembro a novembro de 2026. A OMM ressalta que um Dipolo do Oceano Índico positivo pode modificar os impactos regionais. Padrões climáticos do Dipolo do Oceano Índico podem amplificar secas, inundações e risco de incêndios florestais, principalmente na região do Oceano Índico.
Destruição já visível
Saulo alertou que o El Niño já causa transtornos. O El Niño pode dar golpes duros nas comunidades e economias. Já estamos vendo a perturbação e a destruição que secas e inundações trazem. Esperamos que aumentem com o fortalecimento do El Niño. Este El Niño excepcional exige preparação e resposta excepcionais, afirmou.
O fenômeno já provocou grave crise alimentar no Corredor Seco da América Central, segundo a OMM. Agricultores de Guatemala, Honduras e El Salvador enfrentam colheitas perdidas e reservas de água esgotadas, o que obriga comunidades a depender de ajuda emergencial.
Implicações globais e efeitos na Europa
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou: Vemos o El Niño crescer diante dos nossos olhos. A ciência não deixa dúvidas: estamos em águas desconhecidas, e essas águas estão aquecendo. As temperaturas do mar sobem e o mundo enfrenta clima extremo.
Embora os efeitos climáticos diretos no continente europeu sejam pequenos, as consequências indiretas podem ser grandes. As disrupções globais nas cadeias de abastecimento alimentar causadas por colheitas perdidas na Ásia, nas Américas, na África e na Austrália podem chegar aos supermercados europeus via preços mais altos e atrasos nas entregas. O El Niño anterior, em 2023, quebrou recordes climáticos; este pode fazer de 2027 o ano mais quente já registrado.
Perguntas Frequentes
Qual será a intensidade do El Niño de 2026?
A OMM diz que ele pode ser o mais forte em 40 anos, com quase 100% de chance de persistir até fevereiro de 2027. A previsão é de intensidade muito forte e temperaturas do mar já mais de 2 °C acima do normal.
Quais são os principais impactos do El Niño?
Ele traz mais umidade ao Chifre da África, Ásia Central, Sul da Europa e partes das Américas, e condições mais secas ao subcontinente indiano, Austrália, Caribe e norte da Europa. Também eleva temperaturas e aumenta riscos de inundações, secas e incêndios.
Quando os efeitos atingirão o pico?
A OMM espera os efeitos mais fortes no fim de 2026, com consequências até 2027, que pode se tornar o ano mais quente já registrado.
O El Niño afeta diretamente a Europa?
Os impactos meteorológicos diretos na Europa são pequenos, mas colheitas perdidas em outras regiões podem afetar preços e cadeias de abastecimento europeias.
Qual é a diferença entre El Niño e La Niña?
El Niño é a fase quente do ENOS; La Niña é a fase fria. Elas se alternam irregularmente a cada dois a sete anos e têm efeitos opostos no clima global.
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